EDITORIAL

A SPN realizou de 19 a 21 de Maio, em Monte Real, mais um Forum subordinado aos temas do Comportamento e das Doenças do Movimento. Um evento vocacionado para a formação não só dos mais novos mas também dos restantes membros sempre motivados em se manterem actualizados.

De facto, admite-se hoje que o conhecimento médico se renova na sua quase totalidade a cada 5 anos e na Neurologia, em particular, que tem vindo a conhecer acentuado desenvolvimento em muitas das suas áreas tornando-se assim imprescindível uma atenção especial a esta actividade.

Nessa linha, a SPN concretizou uma parceria que levou à realização em Lisboa do “X World Congress - Controversies in Neurology (CONy) o qual decorreu em Março passado e que teve a participação de mais de 200 portugueses num computo geral um pouco acima dos 900 participantes de 57 países.

Em termos de atracção de eventos internacionais apraz-nos ainda anunciar que a SPN conseguiu assegurar a realização do 4º Congresso da European Academy of Neurology (EAN),o qual decorrerá em Lisboa em Junho de 2018. Este é o evento magno da Neurologia não só europeia como, provavelmente, mundial, sendo esperada uma participação superior a 7000 médicos.

Ainda em termos de anúncios divulgamos a realização em 2017, em substituição do nosso tradicional Forum, mais uma realização conjunta com a Soc. Portuguesa de Neurocirurgia, por amável proposta desta Sociedade à qual nos unem estreitos laços de cooperação e amizade. Recordamos que existe já um histórico de realizações conjuntas: 2009 (Carvoeiro) e 2012 (Porto). Estando esta prevista para o Funchal na segunda quinzena de Maio de 2017.

Finalmente, recordamos o nosso tradicional congresso anual em Novembro, conforme já divulgado. Este evento é focado nas relações das diversas áreas da Neurologia com questões de relacionamento social e estatal. Áreas de referenciação, estruturas de apoio, associações de doentes, rede de cuidados continuados, entre outros. Contamos com a participação de responsáveis políticos e sociais dessas áreas. Antevemos assim debates intensos em questões de tão grande relevância na nossa prática diária.

A adesão dos membros da SPN é o melhor estímulo para prosseguirmos com estas iniciativas.

A Direcção da SPN

 
 

Neurossonologia

Sociedade Portuguesa de Neurossonologia
http://www.neurossonologia.org

Neurossonologia

Definição

Neurossonologia (do grego νεũρον, neuron + do Latim sonus, “som” + sufixo grego -λογíα, '-logia', "estudo de") é a ciência médica dedicada à utilização do ultrassom para o estudo do sistema nervoso, sendo mais comumente reconhecida pela avaliação dos principais vasos arteriais responsáveis pelo fluxo sanguíneo cerebral.

Em que consiste?

A ultrassonografia vascular cérvicocefálica consiste na utilização dos ultrassons para o estudo dos principais vasos responsáveis pela perfusão sanguínea cerebral. No estudo do doente com acidente vascular cerebral (AVC) é importante a avaliação a nível cervical dos eixos carotídeos e artérias vertebrais, e a nível intracraniano das artérias da base do crânio (cerebrais médias, anteriores e posteriores, oftálmicas, vertebrais no trajeto intracraniano e basilar); para o estudo destas últimas utilizam-se “janelas” ósseas para a passagem dos ultrassons – janelas orbitária, temporal e occipital.

Usa-se geralmente o termo eco-Doppler, dado ser possível por um lado a avaliação ecográfica da morfologia arterial, e por outro a avaliação da velocidade de fluxo através do efeito Doppler. De notar que a nível transcraniano as técnicas atuais não permitem a caracterização das paredes arteriais, sendo o vaso “desenhado” pelo seu fluxo através do Doppler codificado a cor; neste exame privilegia-se assim a análise velocimétrica. Portanto no fundo vamos encontrar neste exame um registo das velocidades de fluxo que indiretamente nos dão informação sobre as condições hemodinâmicas e os diversos tipos de patologia.

Áreas de estudo

1. Estudo das artérias carótidas e vertebrais: este exame fornece informação sobre a morfologia arterial, espessura do complexo íntima-média, placas ateromatosas e patologia arterial não aterosclerótica (como dissecções, alguns tipos de vasculite e doenças do tecido conjuntivo). A principal aplicação desta técnica será o diagnóstico e graduação de estenose carotídea, dado crítico no estudo de um doente com AVC isquémico e no acompanhamento seriado de doentes com patologia aterosclerótica.

2. Estudo de artérias intracranianas: através das “janelas ecográficas” transtemporal, suboccipital e oftálmica, os neurossonologistas são capazes de estudar as artérias constituintes do polígono de Willis bem como os seus principais ramos. Este exame fornece uma análise velocimétrica e sentidos de fluxo, informando sobre a existência de patologia intracraniana e estado hemodinâmico do doente. Os principais objetivos são diagnosticar e monitorizar estenoses e oclusões arteriais intracranianas, além de circulação colateral em contexto de AVC isquémico agudo, vasospasmo como complicação de hemorragia sub-aracnoideia, sinais indiretos de anastomose arteriovenosa, sinais de aumento de pressão intracraniana e mesmo de paragem circulatória cerebral (no contexto de morte cerebral), estudo da autorregulação e do acoplamento neurovascular cerebrais, assim como monitorização da hemodinâmica cerebral durante intervenções diagnósticas ou terapêuticas, como no decurso de cirurgias carotídeas ou cardíacas.

3. Estudo do parênquima cerebral: é possível visualizar algumas estruturas parenquimatosas cerebrais pelas suas diferentes propriedades ecogénicas. Uma área de particular interesse tem sido os gânglios da base. Esta técnica tem tido diversas aplicações como no estudo da Doença de Parkinson e outras síndromes parkinsónicas, mas também na Esclerose Múltipla, hemorragia intracerebral ou hipertensão intracraniana.

4. Estudo das veias cervico-cefálicas: estes vasos podem ser estudados pelos mesmos princípios básicos do estudo arterial previamente referidos. As aplicações validadas da técnica incluem o estudo de trombose venosa cerebral ou insuficiência venosa.

5. Estudo de comunicação vascular direito-esquerdo: o diagnóstico de shunts circulatórios como forâmen oval patente ou comunicação interauricolar no coração ou malformação arteriovenosa pulmonar é possível pela monitorização de sinais microembólicos na circulação cerebral após injeção intravenosa de bólus de contraste não-transpulmonar (i.e. soro fisiológico agitado com uma pequena quantidade de ar) concomitante a manobra de Valsalva.

6. Estudo de nervos periféricos e músculos: as propriedades estruturais e funcionais dos tecidos musculares e nervos periféricos podem ser estudados por ultrassonografia. Esta técnica permite a deteção de lesões de nervo ou músculo, atrofia muscular, bem como guiar tratamentos ou biópsias.

7. Utilidade terapêutica: foi demonstrada em múltiplos modelos animais a capacidade do ultrassom em potenciar a fibrinólise em contexto de AVC isquémico agudo. Os estudos clínicos iniciais de fibrinólise potenciada por ultrassom, também conhecida como sonotrombólise, foram promissores. No entanto algumas dúvidas estão ainda por esclarecer como a frequência ótima de insonação, o potencial papel aditivo de agentes de contraste (i.e. microbolhas) e a sua segurança.

Sociedade Portuguesa de Neurossonologia - SPNS

http://www.neurossonologia.org

A SPNS tem por objectivo desenvolver a Neurossonologia em Portugal, fomentando a formação, investigação, e defesa da boa prática dos estudos da circulação cerebral.
Para além dos cursos que promove para a Neurologia portuguesa, a SPNS organizou em 2001 em Lisboa e em 2013 no Porto a reunião da Sociedade Europeia de Neurossonologia e Hemodinâmica Cerebral, sendo anfitriã destes eventos de grande impacto internacional e que decorreram com o maior êxito. Ver mais em http://www.neurosonology2013.pt

Sociedades Internacionais afins:

European Society of Neurosonology and Cerebral Hemodynamics (ESNCH) http://www.esnch.org/

Neurosonology Research Group (NSRG) of the World Federation of Neurology http://www.nsrg.net/

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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